Projectos Florestais de 2018

Limpeza da Floresta na Zona Urbana

A seca que tem atingido o país, nos últimos anos, constitui uma permanente ameaça para a floresta portuguesa, pelo que se tem tornado premente, uma eficaz intervenção na floresta da Herdade de Montalvo, com vista a prevenir e minimizar qualquer risco de incêndio.
Constituindo o Aldeamento um empreendimento turístico de 4 estrelas, que hospeda algumas centenas de turistas, em especial nos meses de Verão - entre Junho e Setembro -, procedeu-se a uma limpeza da floresta, durante os primeiro e segundo trimestres, nas zonas urbanas comuns e envolventes do Aldeamento, numa área total de cerca de 93 hectares.

Vista de pinhal da envolvente zona urbana antes dos trabalhos de limpeza

Os trabalhos realizados, com um custo total de 37 mil euros (s/ IVA) implicaram:
• a desmatação da área, com a destruição de vegetação bravia, de elevada carga térmica;
• o desbaste de pinheiros bravos, com a eliminação de uma excessiva concentração de árvores, de nascimento espontâneo, que prejudicavam o normal crescimento das restantes;
• a desramação de pinheiros, elevando a copa das árvores para diminuir o futuro risco de incêndio; e,
• a remoção e destroçamento dos sobrantes, provenientes dos trabalhos realizados.
Simultaneamente, com a realização dos trabalhos procedeu-se à venda da madeira desta parcela de terreno, para serração, estacaria e estilha, com uma receita de cerca de 36 mil euros, pagando praticamente a totalidade do projeto.
Os trabalhos de limpeza, dentro dos lotes das Unidades de Alojamento ficaram, naturalmente, por conta dos proprietários, tendo-se atingido o início da época de férias, com a totalidade dos trabalhos de limpeza realizados e um Aldeamento de Montalvo muito mais seguro.

Corte e Rearborização de Montalvo1

O Projeto designado por Montalvo1, compreendeu duas fases: o corte de um pinhal bravo; e, a rearborização de cerca de 90 hectares, com substituição do povoamento existente, pelo plantio de pinheiro manso e pinheiro bravo, alternadamente, com um espaçamento de 5m, entre as linhas e de 2,5m entre os pinheiros de cada linha.
Esta metodologia de plantio foi adotada, já que se torna, economicamente, mais vantajosa, uma vez que permite o corte dos pinheiros bravos dentro 6 a 8 anos, dado o crescimento desta espécie de pinheiro ser mais rápida, que a do pinheiro manso. Por outro lado, a necessidade de maior espaçamento entre pinheiros mansos só começa a tornar-se essencial, quando a árvore se vai tornando adulta e, consequentemente, portadora de uma copa mais frondosa.


Preparação do terreno para plantio

Após o corte dos pinheiros bravos foram realizados os trabalhos de preparação do terreno, para a rearborização, com a retirada dos cepos e raízes, a regularização das terras e a abertura de valas para o plantio das novas árvores.
A venda da madeira, destes cerca de 90 hectares, rendeu um valor de 126,5 mil euros (s/ IVA), verba que foi aplicada, na sua totalidade, na rearborização desta área.

Pinheiro recentemente plantado

Este Projeto implicou um investimento de 198,733 mil euros e contou com a comparticipação de 79,493 mil euros, do PDR2020 da União Europeia, correspondente a 40% do seu valor total.
Atualmente ainda estão em curso trabalhos de retirada dos sobrantes finais. O projeto só termina no final do 1º trimestre de 2019, com a reparação dos caminhos florestais por conta do empreiteiro.

Combate à Processionária

A processionária é uma praga, característica das zonas sul e centro da Europa, que ataca os pinheiros mansos e bravos, através de um insecto do mesmo nome, que se instala nas folhas das árvores. Os malefícios provocados por esta praga, também conhecida pela “lagarta do pinheiro”, são elevados, uma vez que, em situações de grande intensidade e proliferação, chegam a destruir a totalidade da folhagem do pinheiro, provocando um considerável atraso no desenvolvimento das plantas.

Pinheiro infestado vendo-se o ninho das "lagartas do pinheiro"

Porém, a situação torna-se ainda mais grave, quando ocorre em zonas onde o homem e alguns animais domésticos percorrem essas áreas contaminadas. O contacto com as pequenas lagartas ou os seus ninhos podem provocar irritações na pele, especialmente graves, ao nível dos olhos e das vias respiratórias.
O combate à processionária pode ser feito segundo diversas técnicas, sendo que a pulverização aérea é a mais indicada, para pinhais de grande dimensão.

Tratamento por pulverização aérea

Na Herdade de Montalvo foi feita a pulverização aérea, utilizando um produto fitossanitário biológico, sem quaisquer efeitos nocivos para pessoas, animais e plantas. Esta operação ocorreu em 20 de dezembro e já se pôde constatar o seu sucesso, através da observação dos ninhos, com a lagarta morta, como consequência da aplicação do produto.
Esta intervenção foi realizada numa área, de cerca 210 hectares, na zona urbana e sua envolvente e implicou um custo global de cerca de 8 mil euros.

Plantas Infestantes – a Acácia/Mimosa

A acácia, trazida da Austrália, no séc. XVIII, com fins decorativos e ornamentais para jardins ou para segurar terras em taludes ou dunas, distribui-se por uma preocupante e vasta área do território nacional, constituindo uma outra praga: a das plantas infestantes.
Cientistas, académicos, especialistas e técnicos do sector florestal, bem como a Quercus têm alertado para o perigo da excessiva área de ocupação de acácias no país, que se pensa que atinja, aproximadamente, os 60.000 hectares.
Os efeitos nefastos da proliferação destas plantas infestantes situam-se ao nível, da perda da identidade paisagística das diversas regiões, pela destruição da vegetação autóctone, em especial da floresta, nos vários territórios onde se instala.
Por outro lado, surge o aparecimento de densas matas, com vários milhares de plantas por hectare, provocando uma elevada absorção da humidade dos solos, determinando o aparecimento de zonas altamente vulneráveis a incêndios.

Exemplo da elevada germinação de sementes de Acácias


A excessiva produção de sementes, com grande capacidade de reprodução e podendo germinar mais de uma década, após serem depositadas nos solos, assim como, a grande resistência desta espécie, a doenças transmitidas por insectos e micro-organismos, tornam as acácias/mimosas, plantas invasoras e destruidoras dos vários ecossistemas.
Relativamente a Montalvo, foi realizado o levantamento sumário na floresta e verificou-se existir, várias zonas atingidas por esta praga infestante, quase todas por contágio de propriedades vizinhas desta herdade.

Aspeto de pinhal infestado por Acácias/Mimosas


Porém, na área urbana, assiste-se à existência de um conjunto de focos de proliferação de acácias, perfeitamente localizados, no interior dos lotes das Unidades de Alojamento, em alguns casos, como consequência do seu plantio, por parte de proprietários.
Por ser considerada uma ameaça, o tema da praga destas plantas infestantes foi objeto de abordagem e apresentação de um “Power-Point”, na Assembleia-Geral de Abril de 2018, como forma de alertar os proprietários para o combate a esta espécie invasora, uma vez que só com o contributo de todos, se consegue o seu desejável controlo.
A Administração recomenda vivamente aos proprietários que procedam ao arranque de todas as acácias existentes nas suas UAs.